sexta-feira, 11 de setembro de 2026

O Destino da Espada - A Saga de Ériko Alek

O Destino da Espada

O livro foi escrito pela autora Karol Artiolli e publicado em 2025 pela Astrid Editora.

Nascido sob o peso de uma missão e marcado por uma antiga maldição, a história explora a saga de Ériko Alek que desafia o prórpio destino quando uma profecia ameaça a vida de sua esposa. Em uma jornada pelos Seis Mundos, ele buscará os lendários Construtores, seres ancestrais capazes de reescrever os caminhos do destino. Mas, entre reis cruéis, criaturas sombrias e uma espada cheia de magia e maldição,  Ériko descobrirá que alguns destinos talvez não possam ser mundados, apenas enfrentados.

O grande trunfo da obra reside na complexidade de seus elementos. A escrita maravilhosa da autora entrega uma narrativa super bem construída e cheia de textos incríveis que te envolvem e te levam direto para o fundo da história. 

Para os fãs de Espada e Feitiçaria, a espada de Ériko evoca imediatamente a icônica Stormbringer de Elric de Melniboné. A arma não é um mero instrumento, mas uma entidade com consciência própria que carrega forças sombrias.

Além das ótimas descrições dos monstros e criaturas que habitam este universo dark, o livro equilibra muito bem as batalhas brutais com as intrigas geopolíticas mantendo um forte apelo emocional focado nos sacrifícios familiares de Ériko.

Enfim, é uma leitura que me agradou bastante pela atitude e personalidade em buscar uma fantasia madura e rica em mitologia, romance, sistemas de magia e um protagonista trágico. 

Por sua execução brilhante e narrativa envolvente, O Destino da Espada: A Saga de Ériko Alek não teme explorar as nuances mais obscuras de seus personagens, entregando uma experiência profunda e memorável.


"Em que lugar dos mundos você ouviu dizer 'guerras em nome do amor'? As guerras sempre são travadas por conquistas, por terras, por posses, por rivalidade perenes. O ódio sempre move as coisas. O amor nos deixa indefesos, expostos, vulneráveis..."

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Correntes Obscuras: Vítima da Luz

Correntes Obscuras: Vítima da Luz 

Trazendo aqui o novíssimo lançamento para a Bienal do Livro de SP 2026 - Correntes Obscuras: Vítima da Luz de Rodrigo Rassoul. 

A historia começa dando ênfase a ascensão da deusa Parajá Têmisa na qual transforma a fé em instrumento de controle. O que inicialmente poderia parecer uma promessa de salvação começa, aos poucos, a revelar uma face muito mais perturbadora.

É nesse ambiente que surge Adônis, personagem colocado no centro de uma trama marcada por descobertas, perseguições e escolhas difíceis. Ao se aproximar dos segredos que envolvem o regime e os crimes cometidos em nome da própria divindade, ele passa de simples testemunha a ameaça que precisa ser eliminada.

Rassoul traz figuras e referências do nosso folclore e colocando-as em um cenário de disputa, poder e terror. Aqui a leitura está tão melhor, atraente e hipnótica quanto em Correntes Obscuras da Luz, seu primeiro volume, revelando um amadurecimento brilhante na sua escrita.

Gostei bastante da maneira pela qual a história não entrega todas as respostas de imediato. A narrativa parece abrir uma nova camada da trama, fazendo com que acontecimentos aparentemente isolados adquiram outro significado conforme a leitura avança. 

Isso ocorre com diversos personagens como Adônis, Desdêmoda, Mariuska e as lutas dos Cadejos e outras criaturas sobrenaturais. Essa construção mantém uma sensação constante de desconfiança num universo dominado por dogmas e conspirações.

Com um belíssimo projeto gráfico e excelentes artes de Franklin Fernandes, Correntes Obscuras: Vítima da Luz surge como uma leitura envolvente. É um olhar fantástico para olhar para um Brasil imaginário e  estranhamente familiar.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

O Mal Consumado

O Mal Consumado 

Hq de terror escrita por Gustavo Pietkowicz Freire e desenhada por Andrios S. Moreira, lançada em 2026 pela Harpia Comics .

A história acompanha três influenciadores digitais: Gael, Mariana e Henrique, cujo desaparecimento desperta a atenção das redes sociais. O ponto de partida é extremamente inquietante: o que acontece quando a busca por audiência coloca jovens diante de algo que jamais deveria ser tratado com entretenimento?

Bom, eu gostei demais dessa premissa. A hq é muito legal e rapidamente demonstra que pretende ir além. O desaparecimento dos protagonistas conduz o leitor a um território no qual superstição, violência e horror sobrenatural se misturam. 

A ideia central nasce de uma crítica a essa necessidade de transformar qualquer experiência em espetáculo. Talvez seja aí que o roteiro encontra sua maior força, pois é tudo muito bem organizado e evoca o clássico formato das antologias de horror das antigas revistas de banca como a Calafrio e Mestres do Terror dos anos 80.

Gostei também da arte e de sua atmosfera. Os quadros são bem claustrofóbicos, as sombras ocupam mais espaço e os rostos e olhos tornam-se deformados. O sobrenatural finalmente deixa de ser uma sugestão para ocupar o espaço da página. 

Enfim, foi muito divertido de ler e indico para os fãs de terror e principalmente para aqueles que sentem saudade do clima das antigas hq's brasileiras. É uma leitura que vale a pena conhecer sobretudo para quem acredita que o horror nacional ainda tem muito a dizer.



quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Sobre Dragões

Sobre Dragões

A voz de Methron, o dragão vermelho, ecoava pela aldeia enquanto moradores do lugar gritavam aterrorizados, fugindo para todas as direções. 

Gigantescas garras rasgaram a pousada, cortando a parede com uma facilidade horripilante enquanto Delina se levanta e começa a correr.

"Entregue-me esta pedra amaldiçoada ou transformarei seu corpo em cinzas!"

Dragões & Tesouros  - Dungeons & Dragons 


"Olhe para ela!", disse Iridikron, sua voz transbordando de orgulho. Raszageth não é magnífica? Ela não é o augue que pode alcançar? Como os nossos irmãos poderiam se voltar para os guardiões quando tudo o que precisamos já está no nosso alcance?"

"Eu não sei", respondeu Fyrakk, virando o rosto para o céu. "E esse cisma que divide nossa espécie deve ser encerrado. Todos os dragões são livres. Não apenas dos decretos dos Titãs, mas do reinado de Alexstrasza."

War of the Scaleborn - World of Warcraft/ Dragonflight

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

UNAY

UNAY

UNAY - uma graphic novel independente publicada originalmente em meados de 2018. 

A obra é composta por quatro histórias curtas que se passam em diferentes períodos da história do Brasil. 

Os roteiros são de Carlos Felipe Figueiras e as duas últimas histórias foram desenvolvidas a partir de premissas criadas por Rosele Ramos.


As histórias

XVI - Arte de Daniel Araújo (@daraujop) - A história traz o tempo e o destino, explorando elementos folclóricos e o misticismo em torno do ato de tecer a vida.

XIX - Arte de João Miranda (@shinjoao) - Foca nas consequências sombrias de acordos feitos com forças desconhecidas, abordando terror e vingança. 

XX - Arte de Erik Judson (@erikjudsonart) - Baseada em uma premissa de Rosele Ramos, esta história trata de acertos de contas sangrentos e o peso de ações passadas que retornam para assombrar num estilo Twilight Zone.

XXI - Arte de Crow Kid (@crowkidart) - Também inspirada em idéia da Rosele Ramos, a história explora o pensamento humano diante do iminente fim do mundo.

Bom, a graphic novel é muito bem estruturada e consegue interligar as quatro narrativas de maneira coesa, mesmo que independentes. O desenvolvimento dos personagens me chamou a atenção de modo muito positivo. Ambientar histórias de terror no contexto brasileiro ao longo dos séculos é uma abordagem rica e promissora. Isso permite uma exploração mais profunda de elementos culturais, históricos e sociais que enriquece totalmente esse contexto. 

A obra também traz uns extras como os rascunhos das artes e o diálogo das narrativas. Isso permite ao leitor ter uma noção interessante de como se cria todo um processo criativo dentro de uma hq.

Devido à combinação de uma temática culturalmente rica e artes belíssimas de artistas nacionais, recomendo demais a leitura.  

UNAY é um potencial significativo para com o gênero de suspense/terror nacional que cria temas reflexivos e de qualidade.

sábado, 11 de julho de 2026

O Vale da Morte

O Vale da Morte

Leitura finalizada em parceria com a Editora Palavra & Verso - O Vale da Morte, primeiro volume da série As Crônicas do Novo Mundo, escrito por Giovana Khalil.

A trama se passa na cidade fictícia de Northwinster, após um vírus misterioso lançar o planeta em um cenário de destruição. Nisso, acompanhamos Carley Evans, uma jovem fotógrafa que acaba presa com seus amigos dentro de um colégio. À medida que os recursos diminuem e a fome se torna uma ameaça constante, os perigos do lado de fora e os conflitos internos transformam o lugar em uma verdadeira prisão, obrigando o grupo a decidir até onde está disposto a ir para sobreviver e voltar para casa.

Bom, o livro carrega ótimas referências a várias obras e autores do gênero como Stephen King, Robert Kirkman e George A. Romero. A leitura é muito fluida e traz um ritmo textual impecável que te prende a cada virada de página. 

Khalil prova que o horror descritivo não precisa ser arrastado. Cada parágrafo entrega a crueza desse novo mundo em ruínas, resultando em uma experiência imersiva, ágil e claustrofóbica.

Um ponto forte aqui é a forma de como o dinamismo da prosa trabalha com a moralidade. Mais do que enfrentar um vírus ou possíveis ameaças externas, os personagens precisam lidar com seus próprios limites. Inclusive, eu adorei essa visão dualista em que a autora prioriza a psicologia humana apresentando qualidades e defeitos em meio ao caos zumbi.

O Vale da Morte é um baita livro que nos faz questionar constantemente o conflito entre o egoísmo e a empatia, levantando a difícil pergunta: quem deve ser sacrificado em nome da sobrevivência?

domingo, 28 de junho de 2026

Terras Distantes, Dias Errantes

Terras Distantes,Dias Errantes

Em parceria com a Editora Palavra & Verso - Terras Distantes, Dias Errantes - antologia publicada em 2026, dedicada ao fantástico, reunindo narrativas inéditas de diversos autores da literatura nacional contemporânea.

  

Primeiramente eu adorei essa antologia. A leitura é fluida e conduz por cenários ricos em imaginação e mistério, nos quais o extraordinário surge com naturalidade.

Os contos compartilham elementos que ajudam a construir uma identidade fantástica como “Mungus” de Alan Polanczyk, “Vermelho e Branco” de Kassius Oliveira, “Faíscas da Noite” de Yuri Blasio Martins, "A Árvore do Caos" do Lawrence Foster, “A Menina e a Pedra Pontuda” de Luwi Archalov. Há as jornadas épicas de cavaleiros que carregam o peso da honra e do dever como o excelente "Os Contos de Édria: A Justiça Cinza" de Eduardo Rocha; a presença de criaturas místicas, monstros e entidades envoltas em magia em “Dragão Esmeralda” de Claudinei Soares, “A Criatura do Pântano” de Henrique Munhoz e o divertido “O Cavaleiro da Mula sem Cabeça” de G. C. Bellföx. Existe também o constante flerte com o desconhecido, o suspense e as sombras que habitam os limites da realidade no incrível e dramático “O Filho da Lua” de Vanessa Musial e “A Biblioteca dos Nomes Perdidos” de Matheus Lima.


Enfim, cada narrativa funciona como uma janela para um universo próprio, revelando culturas, conflitos e personagens distintos. A coletânea é capaz de despertar o senso de maravilhamento, algo característico da fantasia onde o impossível se torna parte integrante da experiência humana.


Mais do que uma simples reunião de histórias, Terras Distantes, Dias Errantes funciona como uma verdadeira vitrine para novos talentos, apresentando ao leitor uma ampla variedade de vozes, estilos e perspectivas dentro da literatura fantástica brasileira, consolidando-se como uma excelente introdução para novos leitores no universo da fantasia.