quinta-feira, 13 de agosto de 2026

UNAY

UNAY

UNAY - uma graphic novel independente publicada originalmente em meados de 2018. 

A obra é composta por quatro histórias curtas que se passam em diferentes períodos da história do Brasil. 

Os roteiros são de Carlos Felipe Figueiras e as duas últimas histórias foram desenvolvidas a partir de premissas criadas por Rosele Ramos.


As histórias

XVI - Arte de Daniel Araújo (@daraujop) - A história traz o tempo e o destino, explorando elementos folclóricos e o misticismo em torno do ato de tecer a vida.

XIX - Arte de João Miranda (@shinjoao) - Foca nas consequências sombrias de acordos feitos com forças desconhecidas, abordando terror e vingança. 

XX - Arte de Erik Judson (@erikjudsonart) - Baseada em uma premissa de Rosele Ramos, esta história trata de acertos de contas sangrentos e o peso de ações passadas que retornam para assombrar num estilo Twilight Zone.

XXI - Arte de Crow Kid (@crowkidart) - Também inspirada em idéia da Rosele Ramos, a história explora o pensamento humano diante do iminente fim do mundo.

Bom, a graphic novel é muito bem estruturada e consegue interligar as quatro narrativas de maneira coesa, mesmo que independentes. O desenvolvimento dos personagens me chamou a atenção de modo muito positivo. Ambientar histórias de terror no contexto brasileiro ao longo dos séculos é uma abordagem rica e promissora. Isso permite uma exploração mais profunda de elementos culturais, históricos e sociais que enriquece totalmente esse contexto. 

A obra também traz uns extras como os rascunhos das artes e o diálogo das narrativas. Isso permite ao leitor ter uma noção interessante de como se cria todo um processo criativo dentro de uma hq.

Devido à combinação de uma temática culturalmente rica e artes belíssimas de artistas nacionais, recomendo demais a leitura.  

UNAY é um potencial significativo para com o gênero de suspense/terror nacional que cria temas reflexivos e de qualidade.

sábado, 11 de julho de 2026

O Vale da Morte

O Vale da Morte

Leitura finalizada em parceria com a Editora Palavra & Verso - O Vale da Morte, primeiro volume da série As Crônicas do Novo Mundo, escrito por Giovana Khalil.

A trama se passa na cidade fictícia de Northwinster, após um vírus misterioso lançar o planeta em um cenário de destruição. Nisso, acompanhamos Carley Evans, uma jovem fotógrafa que acaba presa com seus amigos dentro de um colégio. À medida que os recursos diminuem e a fome se torna uma ameaça constante, os perigos do lado de fora e os conflitos internos transformam o lugar em uma verdadeira prisão, obrigando o grupo a decidir até onde está disposto a ir para sobreviver e voltar para casa.

Bom, o livro carrega ótimas referências a várias obras e autores do gênero como Stephen King, Robert Kirkman e George A. Romero. A leitura é muito fluida e traz um ritmo textual impecável que te prende a cada virada de página. 

Khalil prova que o horror descritivo não precisa ser arrastado. Cada parágrafo entrega a crueza desse novo mundo em ruínas, resultando em uma experiência imersiva, ágil e claustrofóbica.

Um ponto forte aqui é a forma de como o dinamismo da prosa trabalha com a moralidade. Mais do que enfrentar um vírus ou possíveis ameaças externas, os personagens precisam lidar com seus próprios limites. Inclusive, eu adorei essa visão dualista em que a autora prioriza a psicologia humana apresentando qualidades e defeitos em meio ao caos zumbi.

O Vale da Morte é um baita livro que nos faz questionar constantemente o conflito entre o egoísmo e a empatia, levantando a difícil pergunta: quem deve ser sacrificado em nome da sobrevivência?

domingo, 28 de junho de 2026

Terras Distantes, Dias Errantes

Terras Distantes,Dias Errantes

Em parceria com a Editora Palavra & Verso - Terras Distantes, Dias Errantes - antologia publicada em 2026, dedicada ao fantástico, reunindo narrativas inéditas de diversos autores da literatura nacional contemporânea.

  

Primeiramente eu adorei essa antologia. A leitura é fluida e conduz por cenários ricos em imaginação e mistério, nos quais o extraordinário surge com naturalidade.

Os contos compartilham elementos que ajudam a construir uma identidade fantástica como “Mungus” de Alan Polanczyk, “Vermelho e Branco” de Kassius Oliveira, “Faíscas da Noite” de Yuri Blasio Martins, "A Árvore do Caos" do Lawrence Foster, “A Menina e a Pedra Pontuda” de Luwi Archalov. Há as jornadas épicas de cavaleiros que carregam o peso da honra e do dever como o excelente "Os Contos de Édria: A Justiça Cinza" de Eduardo Rocha; a presença de criaturas místicas, monstros e entidades envoltas em magia em “Dragão Esmeralda” de Claudinei Soares, “A Criatura do Pântano” de Henrique Munhoz e o divertido “O Cavaleiro da Mula sem Cabeça” de G. C. Bellföx. Existe também o constante flerte com o desconhecido, o suspense e as sombras que habitam os limites da realidade no incrível e dramático “O Filho da Lua” de Vanessa Musial e “A Biblioteca dos Nomes Perdidos” de Matheus Lima.


Enfim, cada narrativa funciona como uma janela para um universo próprio, revelando culturas, conflitos e personagens distintos. A coletânea é capaz de despertar o senso de maravilhamento, algo característico da fantasia onde o impossível se torna parte integrante da experiência humana.


Mais do que uma simples reunião de histórias, Terras Distantes, Dias Errantes funciona como uma verdadeira vitrine para novos talentos, apresentando ao leitor uma ampla variedade de vozes, estilos e perspectivas dentro da literatura fantástica brasileira, consolidando-se como uma excelente introdução para novos leitores no universo da fantasia.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

The Monsters of Magic - Anthology

The Monsters of Magic 


The Monsters of Magic é uma antologia oficial de contos do universo de Magic: The Gathering, publicada em agosto de 2003 pela Wizards of the Coast. Editada por J. Robert King, a obra representa o encerramento da clássica linha de antologias ambientadas em Dominária, funcionando quase como uma despedida literária de uma era antes da expansão definitiva do multiverso para planos como Mirrodin. 

A proposta central do livro é mergulhar nas criaturas mais emblemáticas do universo de Magic, explorando não apenas sua aparência monstruosa, mas também seus instintos, comportamentos e a maneira como coexistem — ou colidem — com os povos de Dominária. Dragões, lhurgoyfs, delraichs e atogs deixam de ser apenas figuras estampadas em cartas para se tornarem presenças vivas dentro de narrativas marcadas pela sobrevivência, pelo horror fantástico e pelo confronto constante entre humanidade e monstruosidade. 

Mesmo para leitores que nunca tiveram contato com o jogo de cartas, a leitura permanece acessível. Os contos foram construídos com estruturas clássicas da fantasia medieval e da alta fantasia, privilegiando ação, suspense e atmosfera. Cada história funciona de forma autônoma, com início, meio e fim bem definidos, sem exigir conhecimento prévio da vasta cronologia de Magic: The Gathering. Além disso, os autores dedicam atenção especial às descrições das criaturas, detalhando poderes, comportamentos e características físicas sem depender da familiaridade do leitor com as ilustrações e mecânicas do jogo.

Meu destaque vai para o conto “Ach! Hans, Run!” que representa o lado mais descontraído e quase metalinguístico da antologia. O conto transforma um simples flavor text de carta em uma aventura caótica e divertida. Para fãs antigos de Magic, a história funciona como uma verdadeira homenagem à cultura construída ao redor do jogo, carregando humor, nostalgia e referências que ampliam bastante o impacto da leitura. Nesse sentido, a obra pode facilmente agradar fãs de coletâneas ao estilo de The Witcher ou campanhas de Dungeons & Dragons, já que muitos dos monstros apresentados dialogam com arquétipos universais da literatura fantástica, como dragões ancestrais, mortos-vivos e entidades demoníacas. 

No fim, The Monsters of Magic funciona tanto como uma celebração das criaturas que ajudaram a construir a identidade de Magic: The Gathering quanto como um retrato de uma fase específica da fantasia produzida pela Wizards of the Coast no início dos anos 2000. Ainda que alguns contos apresentem qualidade irregular — algo relativamente comum em antologias com múltiplos autores —, o livro permanece interessante por sua atmosfera pulp, pela criatividade de suas criaturas e pelo esforço em transformar monstros de cartas colecionáveis em figuras memoráveis dentro da literatura fantástica.

terça-feira, 19 de maio de 2026

Lioness of the Parch

 

Lioness of the Parch 

Escrito por Evan Dicken e publicado pela Black Library em meados de 2024, o livro retrata o início da carreira de Tahlia Vedra, uma das figuras mais lendárias do universo de Warhammer - Age of Sigmar. 

A história se passa principalmente em Aqshy (o Reino do Fogo), especificamente nas planícies de Great Parch e na cidade-gêmea de Hammerhal Aqsha. Tahlia precisa lidar com intrigas políticas complexas e enfrentar o senhor da guerra do Caos, Mausolus Ebonpyre, após a queda de uma importante fortaleza. É nesse cenário hostil que ela desenvolve suas táticas inovadoras, incluindo a famosa Castelite Formation. 

Bom, o livro vai muito além das grandes batalhas campais de Warhammer. Gostei da narrativa dinâmica e surpreendentemente acessível, equilibrando momentos de ação brutal com diálogos políticos carregados de tensão. A escrita é fluida, alternando combates violentos e estratégias militares. As intrigas do conselho de Hammerhal são descritas de forma tensa e equilibrada. Os flashbacks ajudam a aprofundar o passado de Tahlia, revelando lentamente suas cicatrizes, a sua relação com a mantícora Infernadine e o peso simbólico das armas e troféus que carrega em seu trono de guerra.

O grande trunfo da obra está na força e resiliência mortal de Tahlia em um mundo dominado por deuses e monstros. Sua autoridade não emana de uma benção divina ou de privilégios, mas sim de sua própria inteligência estratégica, carisma e determinação inabalável. Longe do estereótipo de heróis quase divinos ou invencíveis de Warhammer, ela surge como uma líder pragmática, imperfeita e intimamente ligada aos soldados comuns. Ela personifica o triunfo do esforço humano, transformando-se em um símbolo de resistência política e militar para os povos livres dos Reinos Mortais. 

Enfim, Lioness of the Parch irá agradar aos fãs de Warhammer e Fantasia épica, além de consolidar Tahlia Vedra como uma das personagens mais fascinantes, complexas e tridimensionais de Age of Sigmar. 


segunda-feira, 4 de maio de 2026

Dungeons & Dragons: The Fallbacks (Vol.1)

Dungeons and Dragons - The Fallbacks 

Para quem não conhece, a história acompanha um grupo de aventureiros "azarões" (os Fallbacks) que aceitam um trabalho que parece simples, mas — como toda boa campanha de D&D — logo se transforma em um caos absoluto.

Com roteiro de Greg Pak e , a química entre os personagens é instantânea. Tem aquele humor ácido e as confusões clássicas de uma mesa de RPG real.

A arte de Wilton Santos e Edvan Alves é vibrante e cheia de ação captando muito bem a estética de Forgotten Realms. Mesmo quem nunca jogou vai entender a história, mas quem é fã vai pescar várias referências às classes e magias.

Apesar da curiosidade ter me levado a ler esta obra no formato digital, pretendo continuar a saga assim que for lançada por aqui no formato físico. 

Então, se você gosta de Critical Role, Vox Machina ou simplesmente de uma boa fantasia com heróis imperfeitos, esse quadrinho precisa entrar na sua lista!


D&D ‐ The Fallbacks 

sábado, 18 de abril de 2026

Garras e Aço – A Promessa da Lua Vermelha

Garras e Aço  - A Promessa da Lua Vermelha 

O livro é do autor Luan Gomes e publicada pela Editora Flyve em meados de 2025.

A história se passa nas montanhas gélidas de Krondar, um local repleto de segredos antigos onde a neve domina a paisagem. A trama gira em torno de Farkas, um feroz lican, Senhor dos Lobos que governa sua alcateia com severidade e justiça, além de proteger a remota vila de Kriv contra ameaças externas. Nesse cenário, um descendente do irmão de Farkas surge para desafiar seu domínio, enquanto desponta no horizonte uma guerra capaz de abalar toda a civilização. 

O livro carrega um simbolismo muito interessante sobre liberdade, poder e sobrevivência. A dualidade entre o homem e a fera traz um cerne que cativa o leitor logo nas primeiras páginas. O enredo é envolvente e entrega uma estrutura textual muito bem organizada. É uma escrita que se preocupa com a história, mantendo-a fluida e visualmente impecável.

As motivações são palpáveis; as escolhas dos personagens derivam organicamente de suas personalidades, e não apenas de conveniências narrativas. Como exemplos, o líder Farkas e Kai são os que mantêm a tensão, tanto nas batalhas brutais quanto nas tramas políticas. O desenvolvimento é gradual e consistente, evitando mudanças de comportamento bruscas ou injustificadas.

Gostei demais da alcateia de Farkas e de seus comportamentos lupinos — Dagas, Straz, Gunar e outros lobos personificam um misto de obediência e lealdade perante a matilha. 

Outra coisa que mais me impressionou foi como a iminência da guerra em Krondar ressoa com o conceito rpg da 𝐖𝐲𝐫𝐦 em Lobisomem, o Apocalipse. Não se trata apenas de um inimigo físico (vampiros), mas de uma força corruptora que paira no horizonte, ameaçando devorar a honra e a civilização. Essa aura de 'combate contra o inevitável', típica do estilo World of Darkness, eleva a obra Garra e Aço - A Promessa da Lua Vermelha de uma simples fantasia para um épico visceral, onde a luta pela sobrevivência da alcateia é, na verdade, uma batalha pela própria alma do mundo.