sábado, 10 de janeiro de 2026

Arquivo X

Arquivo X

Recentemente fiz uma releitura de Aquivo X n°1, lançado pela Mythos Editora chegou nas bancas brasileiras em outubro de 1997. Esta edição marcou a primeira publicação oficial das HQs da série no Brasil, trazendo o material originalmente publicado na gringa pela Topps Comics em 1995.

O roteiro é de Stefan Petrucha e a arte de Charles Adlard - que anos depois ficaria mundialmente famoso por The Walking Dead. A icônica arte da capa é de Miran Kim, conhecida por capturar a atmosfera misteriosa da série.

A história "Não Abra Até o Natal" apresenta os agentes Fox Mulder e Dana Scully investigando o desaparecimento de um homem que afirmava ter provas de experimentos governamentais envolvendo segredos do Vaticano. 

A narrativa segue fielmente o tom da série de TV, equilibrando o ceticismo de Scully com as teorias conspiratórias de Mulder enquanto lidam com elementos que parecem sobrenaturais ou tecnológicos demais para a época.

Os quadrinhos de Arquivo X conseguem a proeza de capturar a essência exata do seriado, transportando a química inigualável entre Mulder e Scully.

A leitura é imersiva e ao mesmo tempo nostálgica. A arte replica a estética sombria e o ritmo dos diálogos permite que o fã reconheça as vozes originais dos personagens.

Mais do que um produto derivado, os quadrinhos de Arquivo X são uma continuação vital que preserva o suspense e a alma da obra de Chris Carter, provando que a busca pela verdade continua tão envolvente quanto nas telas.


Leiam.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Celeste e a Princesa Lazúli

Cesleste e a Princesa Lazúli 


Trazendo aqui a resenha de Celeste e a Princesa Lazúli, em parceria com a escritora e jornalista cearense Sofia Osório, publicado em novembro de 2025.

A narrativa acompanha Celeste, uma adolescente tímida cuja rotina é tranformada pelo extraordinário quando Igraine, princesa de um reino mágico, surge pedindo ajuda para salvar seu mundo. Portais se abrem no Parque do Cocó (Fortaleza-CE), conectando o cotidiano urbano a um universo fantástico ameaçado por criaturas que materializam medos, dores. 
A jornada das duas é marcada por coragem, amizade e evolução interior.

Gostei de como a autora consegue equilibrar fantasia e intimismo. Sua escrita é fluida, criando uma atmosfera mágica que dialoga com o público jovem sem subestimar sua sensibilidade. A obra também trilha um caminho próprio e muito interessante, ancorado em referências brasileiras e numa narrativa segura e bem original. 

Há personagens interessantes como Derfel, Adam, mas a relação entre Celeste e Igraine se torna o verdadeiro coração da história — uma amizade que funciona como refúgio e força diante das sombras.

Com a arte da capa da ilustradora Sara Guedes, vejo Celeste e a Princesa Lazúli como um conto de fadas poético que interliga com precisão o sentimento e a fantasia de forma contundente e magistral. 

domingo, 28 de dezembro de 2025

As Máscaras do Metamorfo

As Máscaras do Metamorfo 

Ambientado no universo de Ghanor, o romance acompanha Ruprest, um metamorfo ambicioso que almeja tornar-se o maior ladrão do mundo — não pela força, mas pela arte da dissimulação. Cada mudança de rosto é também uma estratégia narrativa: guardas, nobres ou convidados de um baile de máscaras tornam-se peças de um jogo onde identidade é arma e mentira é método.

A trama se estrutura como uma sucessão de “𝑚𝑖𝑠𝑠𝑜̃𝑒𝑠 𝑖𝑚𝑝𝑜𝑠𝑠𝑖́𝑣𝑒𝑖𝑠”, marcadas por reviravoltas, alianças instáveis e desejos conflitantes. A autora constrói um mundo sombrio e pulsante, onde tramas políticas se escondem sob disfarces impecáveis e a linha entre a sobrevivência e a traição desaparece nas sombras do reino de Utteria. Ruprest, longe do herói clássico, é astuto, moralmente ambíguo e profundament

e humano, o que dá densidade emocional à narrativa e sustenta temas como poder, luxúria, crime e transformação — interna e externa.

Com uma escrita ágil, As Máscaras do Metamorfo equilibra ação e introspecção, flertando com o romance “𝑒𝑛𝑒𝑚𝑖𝑒𝑠 𝑡𝑜 𝑙𝑜𝑣𝑒𝑟𝑠” e toques de humor sem perder o tom sombrio que define Utteria. 

A edição física da Jambô Editora reforça essa experiência com um projeto gráfico belíssimo. A capa de Julia Bax e ilustrações de Janio Garcia, torna As Máscaras do Metamorfo não apenas uma boa leitura, mas também um objeto de destaque para fãs de fantasia e do universo de Ghanor.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Crônicas da Lua Cheia - Um Lobisomem Entre a Cruz e a Espada

Um Lobisomem Entre a Cruz e a Espada 

Leitura de Crônicas da Lua Cheia: Um Lobisomem Entre a Cruz e a Espada é o terceiro volume da série de terror do autor Clécius Alexandre Duran.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha Nazista captura um lobisomem para realizar experimentos científicos em uma base secreta, visando criar um exército de bestas sob o comando de Hitler. Para impedir essa ameaça, um piloto da RAF se une a figuras das lendas arturianas e criaturas feéricas em uma missão para evitar que o pelotão invencível mude o curso da guerra.

Bom, o livro constrói essa dualidade explorando o embate entre homem e monstro como se fossem consciências autônomas disputando o mesmo corpo. As cenas de transformação e violência são descritas de forma gráfica e visceral, sem concessões, o que confere à obra um caráter cru e perturbador, voltado para leitores de “𝑒𝑠𝑡𝑜̂𝑚𝑎𝑔𝑜 𝑓𝑜𝑟𝑡𝑒”. Ainda assim, a brutalidade nunca é gratuita: ela serve à construção de uma atmosfera opressiva e reflexiva, na qual o horror físico dialoga com o horror psicológico.

Adorei os elementos clássicos como a vulnerabilidade à prata e ao acônito, pois são preservados e reinterpretados sob uma ótica mais realista e histórica, ancorada na dureza do período retratado. A transição para este novo trabalho de Clésius marca o ápice de sua clareza narrativa, transformando sua escrita em uma experiência literária densa e ao mesmo tempo, impecável.

Como terceiro livro da série, Um Lobisomem Entre a Cruz e a Espada consolida o folclore próprio iniciado em A Maldição do Lobisomem e A Ascensão do Alfa. O resultado é uma obra que respeita a tradição do horror ao mesmo tempo em que a reinventa com identidade e ambição literária.

Crônicas da Lua Cheia



domingo, 21 de dezembro de 2025

Kerigma: A Conclusão de Pantokrátor

Kerigma - A Conclusão de Pantokrátor 

O livro foi escrito pelo autor Ricardo Labuto Gondim e publicado pela Avec Editora em novembro de 2024 . 

A trama começa três anos após os eventos do primeiro livro Pantokrátor (2024) onde o personagem Simão, o mago, desapareceu e o Brasil enfrenta um cenário distópico. Os brasileiros sofrem em "𝘶𝘯𝘪𝘷𝘦𝘳𝘴𝘰𝘴 𝘤𝘰𝘭𝘢𝘵𝘦𝘳𝘢𝘪𝘴", buscam as "𝘊𝘢𝘴𝘢𝘴 𝘥𝘦 𝘚𝘶𝘪𝘤𝘪́𝘥𝘪𝘰 𝘛𝘦𝘳𝘢𝘱𝘦̂𝘶𝘵𝘪𝘤𝘰" e a influência dos neo-ortodoxos cresceu com o Regime se tornando mais autoritário e cruel.

O livro apresenta uma narrativa envolvente que subverte as previsões distópicas tradicionais em favor de uma originalidade cortante. Ambientado em um Rio de Janeiro futurista, o autor utiliza com maestria os moldes do 𝘤𝘺𝘣𝘦𝘳𝘱𝘶𝘯𝘬, onde a alta tecnologia se funde ao irracionalismo humano. O resultado é um cenário asfixiante de opressão e desespero no qual a civilização parece ter abdicado de sua subjetividade em prol do algoritmo e da máquina.

Bom, um dos pontos altos desta construção de mundo é a profundidade com que o autor explora a expansão de grupos opressores e a consequente erosão da esperança. A população acuada oscila entre o refúgio alienante de igrejas onipresentes e o niilismo do suicídio. Há passagens terrivelmente atuais que nos fazem vislumbrar um futuro visceral e perturbadoramente possível. Mantendo a veia crítica e o humor ácido do volume anterior, a obra utiliza a especulação científica para desafiar a todo instante as percepções do leitor.

Enfim, Kerigma uma leitura indispensável para quem busca mais do que entretenimento. É um espelho filosoficamente deformado, mas honesto das nossas próprias contradições. 

Recomendo demais. 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Sombras da Guerra - Sangue do Império (vol.1)

Sombras da Guerra - Sangue do Império 
Vol.1

Sombras da Guerra - Sangue do Império (vol.1) do escritor M. H. Formagini e publicada pela Palavra & Verso Editora em 2025.

Ambientado no continente de Erráwyn, um mundo forjado por séculos de guerras ancestrais e disputas de linhagens, o livro estabelece um cenário de tensão política palpável, com o Império Méssio à beira do colapso. O ponto principal da narrativa é a dinastia Bravo — herdeiros de um sangue simultaneamente venerado e amaldiçoado — e o imperador Magno, um líder assombrado por visões e perdas pessoais. 

A trama alterna com competência entre a microesfera das intrigas palacianas e a macroesfera dos conflitos militares, demonstrando a ambição do autor em criar um universo monumental. A riqueza do worldbuilding é notável, introduzindo ordens religiosas, rituais de sangue, casas nobres e elementos sobrenaturais que enriquecem o tecido da história.

Com muitas influências de As Crônicas de Gelo e Fogo, o ritmo narrativo, que equilibra cenas de ação direta e discussões estratégicas com amplos blocos de construção de mundo, pode, contudo, exigir paciência de leitores acostumados a narrativas mais aceleradas. Trata-se de uma escolha estilística deliberada: o livro não busca apenas contar uma história, mas, sim erguer uma civilização inteira com seus traumas e tragédias familiares.

Gostei muito do tom sombrio que a história emana e que remete a grandes sagas de fantasia que exploram o peso da herança e do poder. Vale registrar o ótimo design gráfico dessa edição com ótimos mapas e a belíssima arte da capa que captou bem a vibe do livro.

Como obra de estréia, Sombras da Guerra já impressiona pela ambição. Formagini mostra potencial e a capacidade de aprimorar ainda mais sua escrita e o gerenciamento do vasto universo que criou, o que gera grande expectativa para os próximos volumes.

Recomendo demais a leitura, pois é bom começo! 


terça-feira, 9 de dezembro de 2025

As Aflições de Hakovet

As Aflições de Hakovet 

Este livro foi escrito pela gaúcha D. Hoff e publicado originalmente em abril de 2025. Para uma compreensão completa do universo criado pela autora, é altamente recomendado que se leia o primeiro livro - A Queda de Hace Kotton de 2023.

A trama segue agora com Hakovet, príncipe e herdeiro do trono de Cevich. Marcado por um grande conflito — o confronto insano e mortal nas Terras Lúgubres — e que agora retorna, mas agora movido por motivações intensas, incluindo vingança e a busca por respostas.

Bom, D. Hoff demonstra um controle impressionante sobre o ritmo da narrativa utilizando uma prosa que, embora detalhada e rica, nunca se torna prolixa. Mais uma vez eu gostei da obscuridade do universo Trakar com suas criaturas bizarras, os cenários de desolação, além das lutas e batalhas a lá Bernard Cornwell. 

Apesar da crueza que permeia cada capítulo, o livro faz com que o leitor permaneça preso às páginas, tornando a leitura uma experiência visceral e, por vezes, desconfortável.

Para fãs de dark fantasy que apreciam narrativas intensas e sem concessões, As Aflições de Hakovet é uma leitura memorável e altamente recomendada. Prepare-se para uma trama violenta e sombria que deixará marcas.


"As lágrimas escorreram, levando toda a força embora. Depois de alguns minutos, já não tinha ânimo para respirar nem se quer abrir os olhos. Assim, fechei as pálpebras inchadas e me permitir ficar ali mesmo, no chão. O cheiro de terra misturado com sangue me recordava todos que já tinham partido."