quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Warhammer - Age of Sigmar/Conquest Unbound

Warhammer AoS - Conquest Unbound 

Lançado em 2022, Conquest Unbound - Stories from the Mortal Realms é uma antologia de contos ambientada no universo de Warhammer - Age of Sigmar.

O livro reune 21 contos de 15 autores renomados — de veteranos como Gav Thorpe e David Guymer ao aclamado Adrian Tchaikovsky. As histórias oferecem uma visão panorâmica e equilibrada das guerras eternas que moldam o cosmos.

Diferente de obras centradas apenas no heroísmo da Ordem, esta coletânea democratiza o conflito ao dar voz às quatro Grandes Alianças: Ordem, Caos, Morte e Destruição. Através de figuras icônicas como Yndrasta, Neferata e o lendário Gotrek Gurnisson, o leitor atravessa a escala épica do cenário das profundezas lúgubres de Shyish até as planícies incandescentes de Aqshy, compreendendo as motivações que movem tanto os heróis quanto os monstros.

Embora ambientada em um cenário de Age of Sigmar, o texto humaniza os Reinos Mortais num mosaico um tanto quanto irregular. 

O brilho de autores renomados como Adrian Tchaikovsky compensa em outros contos mais burocráticos, resultando em uma experiência que diverte, mas não mantém a excelência no geral.

Mesmo sendo mediana, a obra cumpre seu papel para quem busca compreender a complexidade e a beleza brutal de Warhammer AOS sem se perder na imensidão do seu lore.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

As Crônicas de Pangerus - A Aliança Perdida

As Crônicas de Pangerus 

As Crônicas de Pangerus - A Aliança Perdida, do autor mineiro Cleidson Lopes — com certeza, uma das leituras mais legais que fiz em 2025.

Publicado em outubro de 2025, a história se desenrola no continente chamado Pangerus - um mundo onde a paz que um dia uniu raças como homens, elfos e outras criaturas foi quebrada por um ato de traição e violência. O assassinato do príncipe élfico Aegreth mergulhou os diferentes reinos em um estado de profunda desconfiança e tensão.

Nesse cenário de conflito iminente, o rei Haltor, do reino de Levistia, tenta restaurar a esperança e a união entre os povos. Para isso, ele planeja um grande festival, na tentativa de superar as desavenças e forjar uma nova aliança que possa prevenir uma guerra devastadora... mas algo acontece!

Bom, o livro explora temas como traição, intriga política e a busca por paz em meio a um continente à beira do caos. O autor possui uma prosa irretocavel e trechos que lembram as sagas épicas de Forgotten Realms. Ele traz a magia, as batalhas brutais e jornadas heróicas bem ao estilo "𝑜𝑙𝑑𝑠𝑐ℎ𝑜𝑜𝑙" da Fantasia. 

A medida que vamos avançando na leitura, temos a sensação de estarmos num belíssima RPGQuest. Diversos personagens, cenários grandiosos e criaturas fantásticas parecem emergir das obras de R. A. Salvatore, Ed Greenwood, mas aqui o autor consegue construir tudo com mais personalidade e atitude.

Gostei demais dos apêndices deste livro, pois detalham a mitologia, eras e das magias de forma tão rica que tornam o universo da obra ainda mais real e imersivo.

Tenho que destacar a belíssima arte da capa feita por Miquéias Silva que ilumina a obra com traços fantásticos. 

Em suma, As Crônicas de Pangerus - A Aliança Perdida mostra um palco grandioso na fantasia épica nacional. Uma leitura obrigatória para os amantes de grandes sagas que não abrem mão de uma trama bem elaborada.

As Crônicas de Pangerus 

sábado, 10 de janeiro de 2026

Arquivo X

Arquivo X

Recentemente fiz uma releitura de Aquivo X n°1, lançado pela Mythos Editora chegou nas bancas brasileiras em outubro de 1997. Esta edição marcou a primeira publicação oficial das HQs da série no Brasil, trazendo o material originalmente publicado na gringa pela Topps Comics em 1995.

O roteiro é de Stefan Petrucha e a arte de Charles Adlard - que anos depois ficaria mundialmente famoso por The Walking Dead. A icônica arte da capa é de Miran Kim, conhecida por capturar a atmosfera misteriosa da série.

A história "Não Abra Até o Natal" apresenta os agentes Fox Mulder e Dana Scully investigando o desaparecimento de um homem que afirmava ter provas de experimentos governamentais envolvendo segredos do Vaticano. 

A narrativa segue fielmente o tom da série de TV, equilibrando o ceticismo de Scully com as teorias conspiratórias de Mulder enquanto lidam com elementos que parecem sobrenaturais ou tecnológicos demais para a época.

Os quadrinhos de Arquivo X conseguem a proeza de capturar a essência exata do seriado, transportando a química inigualável entre Mulder e Scully.

A leitura é imersiva e ao mesmo tempo nostálgica. A arte replica a estética sombria e o ritmo dos diálogos permite que o fã reconheça as vozes originais dos personagens.

Mais do que um produto derivado, os quadrinhos de Arquivo X são uma continuação vital que preserva o suspense e a alma da obra de Chris Carter, provando que a busca pela verdade continua tão envolvente quanto nas telas.


Leiam.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Celeste e a Princesa Lazúli

Cesleste e a Princesa Lazúli 


Trazendo aqui a resenha de Celeste e a Princesa Lazúli, em parceria com a escritora e jornalista cearense Sofia Osório, publicado em novembro de 2025.

A narrativa acompanha Celeste, uma adolescente tímida cuja rotina é tranformada pelo extraordinário quando Igraine, princesa de um reino mágico, surge pedindo ajuda para salvar seu mundo. Portais se abrem no Parque do Cocó (Fortaleza-CE), conectando o cotidiano urbano a um universo fantástico ameaçado por criaturas que materializam medos, dores. 
A jornada das duas é marcada por coragem, amizade e evolução interior.

Gostei de como a autora consegue equilibrar fantasia e intimismo. Sua escrita é fluida, criando uma atmosfera mágica que dialoga com o público jovem sem subestimar sua sensibilidade. A obra também trilha um caminho próprio e muito interessante, ancorado em referências brasileiras e numa narrativa segura e bem original. 

Há personagens interessantes como Derfel, Adam, mas a relação entre Celeste e Igraine se torna o verdadeiro coração da história — uma amizade que funciona como refúgio e força diante das sombras.

Com a arte da capa da ilustradora Sara Guedes, vejo Celeste e a Princesa Lazúli como um conto de fadas poético que interliga com precisão o sentimento e a fantasia de forma contundente e magistral. 

domingo, 28 de dezembro de 2025

As Máscaras do Metamorfo

As Máscaras do Metamorfo 

Ambientado no universo de Ghanor, o romance acompanha Ruprest, um metamorfo ambicioso que almeja tornar-se o maior ladrão do mundo — não pela força, mas pela arte da dissimulação. Cada mudança de rosto é também uma estratégia narrativa: guardas, nobres ou convidados de um baile de máscaras tornam-se peças de um jogo onde identidade é arma e mentira é método.

A trama se estrutura como uma sucessão de “𝑚𝑖𝑠𝑠𝑜̃𝑒𝑠 𝑖𝑚𝑝𝑜𝑠𝑠𝑖́𝑣𝑒𝑖𝑠”, marcadas por reviravoltas, alianças instáveis e desejos conflitantes. A autora constrói um mundo sombrio e pulsante, onde tramas políticas se escondem sob disfarces impecáveis e a linha entre a sobrevivência e a traição desaparece nas sombras do reino de Utteria. Ruprest, longe do herói clássico, é astuto, moralmente ambíguo e profundament

e humano, o que dá densidade emocional à narrativa e sustenta temas como poder, luxúria, crime e transformação — interna e externa.

Com uma escrita ágil, As Máscaras do Metamorfo equilibra ação e introspecção, flertando com o romance “𝑒𝑛𝑒𝑚𝑖𝑒𝑠 𝑡𝑜 𝑙𝑜𝑣𝑒𝑟𝑠” e toques de humor sem perder o tom sombrio que define Utteria. 

A edição física da Jambô Editora reforça essa experiência com um projeto gráfico belíssimo. A capa de Julia Bax e ilustrações de Janio Garcia, torna As Máscaras do Metamorfo não apenas uma boa leitura, mas também um objeto de destaque para fãs de fantasia e do universo de Ghanor.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Crônicas da Lua Cheia - Um Lobisomem Entre a Cruz e a Espada

Um Lobisomem Entre a Cruz e a Espada 

Leitura de Crônicas da Lua Cheia: Um Lobisomem Entre a Cruz e a Espada é o terceiro volume da série de terror do autor Clécius Alexandre Duran.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha Nazista captura um lobisomem para realizar experimentos científicos em uma base secreta, visando criar um exército de bestas sob o comando de Hitler. Para impedir essa ameaça, um piloto da RAF se une a figuras das lendas arturianas e criaturas feéricas em uma missão para evitar que o pelotão invencível mude o curso da guerra.

Bom, o livro constrói essa dualidade explorando o embate entre homem e monstro como se fossem consciências autônomas disputando o mesmo corpo. As cenas de transformação e violência são descritas de forma gráfica e visceral, sem concessões, o que confere à obra um caráter cru e perturbador, voltado para leitores de “𝑒𝑠𝑡𝑜̂𝑚𝑎𝑔𝑜 𝑓𝑜𝑟𝑡𝑒”. Ainda assim, a brutalidade nunca é gratuita: ela serve à construção de uma atmosfera opressiva e reflexiva, na qual o horror físico dialoga com o horror psicológico.

Adorei os elementos clássicos como a vulnerabilidade à prata e ao acônito, pois são preservados e reinterpretados sob uma ótica mais realista e histórica, ancorada na dureza do período retratado. A transição para este novo trabalho de Clésius marca o ápice de sua clareza narrativa, transformando sua escrita em uma experiência literária densa e ao mesmo tempo, impecável.

Como terceiro livro da série, Um Lobisomem Entre a Cruz e a Espada consolida o folclore próprio iniciado em A Maldição do Lobisomem e A Ascensão do Alfa. O resultado é uma obra que respeita a tradição do horror ao mesmo tempo em que a reinventa com identidade e ambição literária.

Crônicas da Lua Cheia



domingo, 21 de dezembro de 2025

Kerigma: A Conclusão de Pantokrátor

Kerigma - A Conclusão de Pantokrátor 

O livro foi escrito pelo autor Ricardo Labuto Gondim e publicado pela Avec Editora em novembro de 2024 . 

A trama começa três anos após os eventos do primeiro livro Pantokrátor (2024) onde o personagem Simão, o mago, desapareceu e o Brasil enfrenta um cenário distópico. Os brasileiros sofrem em "𝘶𝘯𝘪𝘷𝘦𝘳𝘴𝘰𝘴 𝘤𝘰𝘭𝘢𝘵𝘦𝘳𝘢𝘪𝘴", buscam as "𝘊𝘢𝘴𝘢𝘴 𝘥𝘦 𝘚𝘶𝘪𝘤𝘪́𝘥𝘪𝘰 𝘛𝘦𝘳𝘢𝘱𝘦̂𝘶𝘵𝘪𝘤𝘰" e a influência dos neo-ortodoxos cresceu com o Regime se tornando mais autoritário e cruel.

O livro apresenta uma narrativa envolvente que subverte as previsões distópicas tradicionais em favor de uma originalidade cortante. Ambientado em um Rio de Janeiro futurista, o autor utiliza com maestria os moldes do 𝘤𝘺𝘣𝘦𝘳𝘱𝘶𝘯𝘬, onde a alta tecnologia se funde ao irracionalismo humano. O resultado é um cenário asfixiante de opressão e desespero no qual a civilização parece ter abdicado de sua subjetividade em prol do algoritmo e da máquina.

Bom, um dos pontos altos desta construção de mundo é a profundidade com que o autor explora a expansão de grupos opressores e a consequente erosão da esperança. A população acuada oscila entre o refúgio alienante de igrejas onipresentes e o niilismo do suicídio. Há passagens terrivelmente atuais que nos fazem vislumbrar um futuro visceral e perturbadoramente possível. Mantendo a veia crítica e o humor ácido do volume anterior, a obra utiliza a especulação científica para desafiar a todo instante as percepções do leitor.

Enfim, Kerigma uma leitura indispensável para quem busca mais do que entretenimento. É um espelho filosoficamente deformado, mas honesto das nossas próprias contradições. 

Recomendo demais.