terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Bem Mal Me Quer

Bem Mal Me Quer  - H. Pueyo 

Conto da autora H. Pueyo, publicado pela Editora Dame Blanche em 2022.

A história começa quando a guarda-chaves é encontrada morta por Dália na Casa Caprichosa, onde eficiência e discrição são vitais para os funcionários, que vivem sob o medo constante da proprietária — uma criatura monstruosa e aracnídea chamada Anatema.

O conto possui uma narrativa muito envolvente e reflexiva. Há tensão emocional entre os protagonistas, enquanto a aura gótica e sombria emana de forma magistral.

Gostei muito do conceito central encontrado nas linhas descritivas do texto. Aqui, temos diversos simbolismos caracterizados pelo desejo, ego e medo. O suspense, a investigação e os debates e "confrontos" entre as personagens Dália e Anatema são perfeitos. A autora consegue equilibrar esses momentos intensos de maneira que o leitor permaneça grudado a cada página.

Meu destaque vai para as descrições vívidas da criatura, dignas de qualquer pesadelo vindo das profundezas lúgubres. Os personagens secundários também mantêm o equilíbrio na medida certa.

Bem Mal Me Quer é instigante e, ao mesmo tempo, provocativo; uma obra digna das leituras góticas contemporâneas que me surpreendeu positivamente.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Vikings - Olho de Odin

Vikings - Olho de Odin 

Com roteiro de Eduardo Kasse e arte de Carlos Sekko, trago aqui Vikings: Olho de Odin, publicado pela Editora Draco em 2023. 

Na trama, os guerreiros Hróaldr, Boors, Caolho e outros amigos partem em uma jornada para desvendar um grande mistério: como o olho de Odin, o Pai de Todos, foi parar em Midgard, o mundo dos homens.

Com a ajuda da vidente Jórunnr e enfrentando situações engraçadas e épicas, o grupo busca respostas na tentativa de evitar o temido Ragnarök.


Bom, a escrita do Kasse se mantém impecável. Ele utiliza muito bem uma abordagem ácida e descontraída para equilibrar a brutalidade do cenário nórdico. O humor, assim como nas outras hqs anteriores, não é apenas um detalhe, mas um pilar narrativo que define a identidade da obra. 

Como sempre gostei muita da dinâmica caótica entre Hróaldr e Boors. A história celebra a lealdade e a união da parede de escudos, sugerindo que mesmo os desafios mais brutais são superáveis com aliados de confiança.

As ilustrações de Sekko evocam a fúria das batalhas e ao mesmo tempo ampliam tempo e espaço, resultando em uma estética tão brutal quanto magnética. 

Enfim, Vikings: O Olho de Odin garante que o tom "sujo" e ríspido da leitura se mantenha fiel ao espírito das sagas anteriores - 𝑵𝒐𝒊𝒕𝒆 𝒆𝒎 𝑽𝒂𝒍𝒉𝒂𝒍𝒂 e 𝑴𝒐𝒓𝒕𝒆 𝒂𝒐 𝑻𝒓𝒐𝒍𝒍 -, afastando-se de qualquer glamourização para entregar uma jornada visceral, divertida e mitológica.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Warhammer - Age of Sigmar/Conquest Unbound

Warhammer AoS - Conquest Unbound 

Lançado em 2022, Conquest Unbound - Stories from the Mortal Realms é uma antologia de contos ambientada no universo de Warhammer - Age of Sigmar.

O livro reune 21 contos de 15 autores renomados — de veteranos como Gav Thorpe e David Guymer ao aclamado Adrian Tchaikovsky. As histórias oferecem uma visão panorâmica e equilibrada das guerras eternas que moldam o cosmos.

Diferente de obras centradas apenas no heroísmo da Ordem, esta coletânea democratiza o conflito ao dar voz às quatro Grandes Alianças: Ordem, Caos, Morte e Destruição. Através de figuras icônicas como Yndrasta, Neferata e o lendário Gotrek Gurnisson, o leitor atravessa a escala épica do cenário das profundezas lúgubres de Shyish até as planícies incandescentes de Aqshy, compreendendo as motivações que movem tanto os heróis quanto os monstros.

Embora ambientada em um cenário de Age of Sigmar, o texto humaniza os Reinos Mortais num mosaico um tanto quanto irregular. 

O brilho de autores renomados como Adrian Tchaikovsky compensa em outros contos mais burocráticos, resultando em uma experiência que diverte, mas não mantém a excelência no geral.

Mesmo sendo mediana, a obra cumpre seu papel para quem busca compreender a complexidade e a beleza brutal de Warhammer AOS sem se perder na imensidão do seu lore.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

As Crônicas de Pangerus - A Aliança Perdida

As Crônicas de Pangerus 

As Crônicas de Pangerus - A Aliança Perdida, do autor mineiro Cleidson Lopes — com certeza, uma das leituras mais legais que fiz em 2025.

Publicado em outubro de 2025, a história se desenrola no continente chamado Pangerus - um mundo onde a paz que um dia uniu raças como homens, elfos e outras criaturas foi quebrada por um ato de traição e violência. O assassinato do príncipe élfico Aegreth mergulhou os diferentes reinos em um estado de profunda desconfiança e tensão.

Nesse cenário de conflito iminente, o rei Haltor, do reino de Levistia, tenta restaurar a esperança e a união entre os povos. Para isso, ele planeja um grande festival, na tentativa de superar as desavenças e forjar uma nova aliança que possa prevenir uma guerra devastadora... mas algo acontece!

Bom, o livro explora temas como traição, intriga política e a busca por paz em meio a um continente à beira do caos. O autor possui uma prosa irretocavel e trechos que lembram as sagas épicas de Forgotten Realms. Ele traz a magia, as batalhas brutais e jornadas heróicas bem ao estilo "𝑜𝑙𝑑𝑠𝑐ℎ𝑜𝑜𝑙" da Fantasia. 

A medida que vamos avançando na leitura, temos a sensação de estarmos num belíssima RPGQuest. Diversos personagens, cenários grandiosos e criaturas fantásticas parecem emergir das obras de R. A. Salvatore, Ed Greenwood, mas aqui o autor consegue construir tudo com mais personalidade e atitude.

Gostei demais dos apêndices deste livro, pois detalham a mitologia, eras e das magias de forma tão rica que tornam o universo da obra ainda mais real e imersivo.

Tenho que destacar a belíssima arte da capa feita por Miquéias Silva que ilumina a obra com traços fantásticos. 

Em suma, As Crônicas de Pangerus - A Aliança Perdida mostra um palco grandioso na fantasia épica nacional. Uma leitura obrigatória para os amantes de grandes sagas que não abrem mão de uma trama bem elaborada.

As Crônicas de Pangerus 

sábado, 10 de janeiro de 2026

Arquivo X

Arquivo X

Recentemente fiz uma releitura de Aquivo X n°1, lançado pela Mythos Editora chegou nas bancas brasileiras em outubro de 1997. Esta edição marcou a primeira publicação oficial das HQs da série no Brasil, trazendo o material originalmente publicado na gringa pela Topps Comics em 1995.

O roteiro é de Stefan Petrucha e a arte de Charles Adlard - que anos depois ficaria mundialmente famoso por The Walking Dead. A icônica arte da capa é de Miran Kim, conhecida por capturar a atmosfera misteriosa da série.

A história "Não Abra Até o Natal" apresenta os agentes Fox Mulder e Dana Scully investigando o desaparecimento de um homem que afirmava ter provas de experimentos governamentais envolvendo segredos do Vaticano. 

A narrativa segue fielmente o tom da série de TV, equilibrando o ceticismo de Scully com as teorias conspiratórias de Mulder enquanto lidam com elementos que parecem sobrenaturais ou tecnológicos demais para a época.

Os quadrinhos de Arquivo X conseguem a proeza de capturar a essência exata do seriado, transportando a química inigualável entre Mulder e Scully.

A leitura é imersiva e ao mesmo tempo nostálgica. A arte replica a estética sombria e o ritmo dos diálogos permite que o fã reconheça as vozes originais dos personagens.

Mais do que um produto derivado, os quadrinhos de Arquivo X são uma continuação vital que preserva o suspense e a alma da obra de Chris Carter, provando que a busca pela verdade continua tão envolvente quanto nas telas.


Leiam.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Celeste e a Princesa Lazúli

Cesleste e a Princesa Lazúli 


Trazendo aqui a resenha de Celeste e a Princesa Lazúli, em parceria com a escritora e jornalista cearense Sofia Osório, publicado em novembro de 2025.

A narrativa acompanha Celeste, uma adolescente tímida cuja rotina é tranformada pelo extraordinário quando Igraine, princesa de um reino mágico, surge pedindo ajuda para salvar seu mundo. Portais se abrem no Parque do Cocó (Fortaleza-CE), conectando o cotidiano urbano a um universo fantástico ameaçado por criaturas que materializam medos, dores. 
A jornada das duas é marcada por coragem, amizade e evolução interior.

Gostei de como a autora consegue equilibrar fantasia e intimismo. Sua escrita é fluida, criando uma atmosfera mágica que dialoga com o público jovem sem subestimar sua sensibilidade. A obra também trilha um caminho próprio e muito interessante, ancorado em referências brasileiras e numa narrativa segura e bem original. 

Há personagens interessantes como Derfel, Adam, mas a relação entre Celeste e Igraine se torna o verdadeiro coração da história — uma amizade que funciona como refúgio e força diante das sombras.

Com a arte da capa da ilustradora Sara Guedes, vejo Celeste e a Princesa Lazúli como um conto de fadas poético que interliga com precisão o sentimento e a fantasia de forma contundente e magistral. 

domingo, 28 de dezembro de 2025

As Máscaras do Metamorfo

As Máscaras do Metamorfo 

Ambientado no universo de Ghanor, o romance acompanha Ruprest, um metamorfo ambicioso que almeja tornar-se o maior ladrão do mundo — não pela força, mas pela arte da dissimulação. Cada mudança de rosto é também uma estratégia narrativa: guardas, nobres ou convidados de um baile de máscaras tornam-se peças de um jogo onde identidade é arma e mentira é método.

A trama se estrutura como uma sucessão de “𝑚𝑖𝑠𝑠𝑜̃𝑒𝑠 𝑖𝑚𝑝𝑜𝑠𝑠𝑖́𝑣𝑒𝑖𝑠”, marcadas por reviravoltas, alianças instáveis e desejos conflitantes. A autora constrói um mundo sombrio e pulsante, onde tramas políticas se escondem sob disfarces impecáveis e a linha entre a sobrevivência e a traição desaparece nas sombras do reino de Utteria. Ruprest, longe do herói clássico, é astuto, moralmente ambíguo e profundament

e humano, o que dá densidade emocional à narrativa e sustenta temas como poder, luxúria, crime e transformação — interna e externa.

Com uma escrita ágil, As Máscaras do Metamorfo equilibra ação e introspecção, flertando com o romance “𝑒𝑛𝑒𝑚𝑖𝑒𝑠 𝑡𝑜 𝑙𝑜𝑣𝑒𝑟𝑠” e toques de humor sem perder o tom sombrio que define Utteria. 

A edição física da Jambô Editora reforça essa experiência com um projeto gráfico belíssimo. A capa de Julia Bax e ilustrações de Janio Garcia, torna As Máscaras do Metamorfo não apenas uma boa leitura, mas também um objeto de destaque para fãs de fantasia e do universo de Ghanor.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Crônicas da Lua Cheia - Um Lobisomem Entre a Cruz e a Espada

Um Lobisomem Entre a Cruz e a Espada 

Leitura de Crônicas da Lua Cheia: Um Lobisomem Entre a Cruz e a Espada é o terceiro volume da série de terror do autor Clécius Alexandre Duran.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha Nazista captura um lobisomem para realizar experimentos científicos em uma base secreta, visando criar um exército de bestas sob o comando de Hitler. Para impedir essa ameaça, um piloto da RAF se une a figuras das lendas arturianas e criaturas feéricas em uma missão para evitar que o pelotão invencível mude o curso da guerra.

Bom, o livro constrói essa dualidade explorando o embate entre homem e monstro como se fossem consciências autônomas disputando o mesmo corpo. As cenas de transformação e violência são descritas de forma gráfica e visceral, sem concessões, o que confere à obra um caráter cru e perturbador, voltado para leitores de “𝑒𝑠𝑡𝑜̂𝑚𝑎𝑔𝑜 𝑓𝑜𝑟𝑡𝑒”. Ainda assim, a brutalidade nunca é gratuita: ela serve à construção de uma atmosfera opressiva e reflexiva, na qual o horror físico dialoga com o horror psicológico.

Adorei os elementos clássicos como a vulnerabilidade à prata e ao acônito, pois são preservados e reinterpretados sob uma ótica mais realista e histórica, ancorada na dureza do período retratado. A transição para este novo trabalho de Clésius marca o ápice de sua clareza narrativa, transformando sua escrita em uma experiência literária densa e ao mesmo tempo, impecável.

Como terceiro livro da série, Um Lobisomem Entre a Cruz e a Espada consolida o folclore próprio iniciado em A Maldição do Lobisomem e A Ascensão do Alfa. O resultado é uma obra que respeita a tradição do horror ao mesmo tempo em que a reinventa com identidade e ambição literária.

Crônicas da Lua Cheia



domingo, 21 de dezembro de 2025

Kerigma: A Conclusão de Pantokrátor

Kerigma - A Conclusão de Pantokrátor 

O livro foi escrito pelo autor Ricardo Labuto Gondim e publicado pela Avec Editora em novembro de 2024 . 

A trama começa três anos após os eventos do primeiro livro Pantokrátor (2024) onde o personagem Simão, o mago, desapareceu e o Brasil enfrenta um cenário distópico. Os brasileiros sofrem em "𝘶𝘯𝘪𝘷𝘦𝘳𝘴𝘰𝘴 𝘤𝘰𝘭𝘢𝘵𝘦𝘳𝘢𝘪𝘴", buscam as "𝘊𝘢𝘴𝘢𝘴 𝘥𝘦 𝘚𝘶𝘪𝘤𝘪́𝘥𝘪𝘰 𝘛𝘦𝘳𝘢𝘱𝘦̂𝘶𝘵𝘪𝘤𝘰" e a influência dos neo-ortodoxos cresceu com o Regime se tornando mais autoritário e cruel.

O livro apresenta uma narrativa envolvente que subverte as previsões distópicas tradicionais em favor de uma originalidade cortante. Ambientado em um Rio de Janeiro futurista, o autor utiliza com maestria os moldes do 𝘤𝘺𝘣𝘦𝘳𝘱𝘶𝘯𝘬, onde a alta tecnologia se funde ao irracionalismo humano. O resultado é um cenário asfixiante de opressão e desespero no qual a civilização parece ter abdicado de sua subjetividade em prol do algoritmo e da máquina.

Bom, um dos pontos altos desta construção de mundo é a profundidade com que o autor explora a expansão de grupos opressores e a consequente erosão da esperança. A população acuada oscila entre o refúgio alienante de igrejas onipresentes e o niilismo do suicídio. Há passagens terrivelmente atuais que nos fazem vislumbrar um futuro visceral e perturbadoramente possível. Mantendo a veia crítica e o humor ácido do volume anterior, a obra utiliza a especulação científica para desafiar a todo instante as percepções do leitor.

Enfim, Kerigma uma leitura indispensável para quem busca mais do que entretenimento. É um espelho filosoficamente deformado, mas honesto das nossas próprias contradições. 

Recomendo demais. 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Sombras da Guerra - Sangue do Império (vol.1)

Sombras da Guerra - Sangue do Império 
Vol.1

Sombras da Guerra - Sangue do Império (vol.1) do escritor M. H. Formagini e publicada pela Palavra & Verso Editora em 2025.

Ambientado no continente de Erráwyn, um mundo forjado por séculos de guerras ancestrais e disputas de linhagens, o livro estabelece um cenário de tensão política palpável, com o Império Méssio à beira do colapso. O ponto principal da narrativa é a dinastia Bravo — herdeiros de um sangue simultaneamente venerado e amaldiçoado — e o imperador Magno, um líder assombrado por visões e perdas pessoais. 

A trama alterna com competência entre a microesfera das intrigas palacianas e a macroesfera dos conflitos militares, demonstrando a ambição do autor em criar um universo monumental. A riqueza do worldbuilding é notável, introduzindo ordens religiosas, rituais de sangue, casas nobres e elementos sobrenaturais que enriquecem o tecido da história.

Com muitas influências de As Crônicas de Gelo e Fogo, o ritmo narrativo, que equilibra cenas de ação direta e discussões estratégicas com amplos blocos de construção de mundo, pode, contudo, exigir paciência de leitores acostumados a narrativas mais aceleradas. Trata-se de uma escolha estilística deliberada: o livro não busca apenas contar uma história, mas, sim erguer uma civilização inteira com seus traumas e tragédias familiares.

Gostei muito do tom sombrio que a história emana e que remete a grandes sagas de fantasia que exploram o peso da herança e do poder. Vale registrar o ótimo design gráfico dessa edição com ótimos mapas e a belíssima arte da capa que captou bem a vibe do livro.

Como obra de estréia, Sombras da Guerra já impressiona pela ambição. Formagini mostra potencial e a capacidade de aprimorar ainda mais sua escrita e o gerenciamento do vasto universo que criou, o que gera grande expectativa para os próximos volumes.

Recomendo demais a leitura, pois é bom começo! 


terça-feira, 9 de dezembro de 2025

As Aflições de Hakovet

As Aflições de Hakovet 

Este livro foi escrito pela gaúcha D. Hoff e publicado originalmente em abril de 2025. Para uma compreensão completa do universo criado pela autora, é altamente recomendado que se leia o primeiro livro - A Queda de Hace Kotton de 2023.

A trama segue agora com Hakovet, príncipe e herdeiro do trono de Cevich. Marcado por um grande conflito — o confronto insano e mortal nas Terras Lúgubres — e que agora retorna, mas agora movido por motivações intensas, incluindo vingança e a busca por respostas.

Bom, D. Hoff demonstra um controle impressionante sobre o ritmo da narrativa utilizando uma prosa que, embora detalhada e rica, nunca se torna prolixa. Mais uma vez eu gostei da obscuridade do universo Trakar com suas criaturas bizarras, os cenários de desolação, além das lutas e batalhas a lá Bernard Cornwell. 

Apesar da crueza que permeia cada capítulo, o livro faz com que o leitor permaneça preso às páginas, tornando a leitura uma experiência visceral e, por vezes, desconfortável.

Para fãs de dark fantasy que apreciam narrativas intensas e sem concessões, As Aflições de Hakovet é uma leitura memorável e altamente recomendada. Prepare-se para uma trama violenta e sombria que deixará marcas.


"As lágrimas escorreram, levando toda a força embora. Depois de alguns minutos, já não tinha ânimo para respirar nem se quer abrir os olhos. Assim, fechei as pálpebras inchadas e me permitir ficar ali mesmo, no chão. O cheiro de terra misturado com sangue me recordava todos que já tinham partido."

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

A Promessa Anã - livro 3


A Promessa Anã  - Sagraerya (livro 3)


Nesta terceira parte da história está focada nos quatro aventureiros – o paladino Sagrarius, o espadachim Yumura, o selveiro Khol’dbleq e o anão Kirion.

O grupo embarca em uma perigosa jornada através do Deserto das Dunas Contínuas e das Montanhas do Escudo, em direção à cidade anã de Akrozil-Roth, para ajudar Kirion a cumprir uma promessa feita quarenta anos atrás.

O que realmente se destaca e que me agradou bastante na leitura é o crescimento emocional dos personagens. O autor parece menos interessado em grandes reviravoltas e mais em mostrar como as pessoas mudam sob o peso de responsabilidades impossíveis. Os personagens erram, recuam, sangram e insistem. Cada escolha tem um custo e o mundo não alivia suas cobranças.

Em termos de ritmo, as linhas narrativas encontram um equilíbrio maduro. Os textos mostram uma precisão quase artesanal. As lutas estão perfeitas e são de tirar o fôlego. Há também momentos internos, onde os conflitos silenciosos falam mais alto que as lâminas. Sagraerya, aos poucos, deixa de ser apenas cenário e se torna uma entidade viva - montanhas que guardam memórias, cidades que sussurram derrotas, florestas que observam.

Sario Ferreira entrega um terceiro volume sólido, emocional e cheio de textura. A Promessa Anã fecha o Arco da Aliança, um capítulo que eleva a saga Sagraerya e prepara o terreno para o Arco da Justiça. 

É uma trilogia para leitores que gostam de fantasia com alma e esperança. 


"Ao espadachim, sonhos de outros sonhos sonhos; daqueles que não pertenciam ao mundo atual. Ao mateiro, sonhos selvagens, de descoberta e expansão de sua Mnassi. Ao paladino, sonhos de sempre, marcando a constante lembrança dos motivos de sua jornada. Ao Anão, sonho nenhum, pois os Anões não sonhavam, por serem concretos demais [...]."

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

A Batalha dos Bandidos

Spider-Punk - Batalha dos Bandidos 

Minha dica de hoje é A Batalha dos Bandidos do Aranhaverso Punk-Aranha publicado por aqui em junho de 2023. A história segue a partir do multiverso aranha onde Hobie Brown é um herói movido pelo desejo de derrubar sistemas corruptos e que posteriormente derrotou o Presidente Norman Osborn. 

Para a galera que não conhece, Hobie Brown, o Spider-Punk da Terra-138, é um herói anárquico e rebelde que utiliza suas habilidades e uma guitarra com ondas sônicas para lutar contra o regime fascista de sua realidade distópica. Sua atitude punk rock e seu destaque no filme "Homem-Aranha: Através do Aranhaverso" o tornaram uma figura proeminente no multiverso do Aranha.

O foco da hq é na ação intensa e que reflete a estética punk rock hardcore. A narrativa explora temas de resistência, anarquia e a luta contínua contra a opressão e o autoritarismo com um forte senso de comunidade e atitude no estilo "faça você mesmo".

Gostei muito da arte de Justin Mason, com cores de Jim Charalampidis. Para mim, eles criaram uma identidade única na hq, incorporando elementos de colagem, panfletos de shows de punk rock e um visual cru e energético que complementa perfeitamente o tom da história.

Escrita por Cody Ziglar, a hq traz um roteiro rápido, cheio de atitude e humor e com diversos personagens punks da Marvel como o Hulk, Capitão Anarquia e Kamala.

Em resumo, A Batalha dos Bandidos é um quadrinho divertido, cheio de energia e que cumpre a promessa de entregar uma típica aventura autêntica e racidal do Spider-Punk.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

A Espada Selvagem de Conan - 2024

A Espada Selvagem de Conan 

Mostrando aqui a edição especial de nº 1 de A Espada Selvagem de Conan. 

Publicado em novembro de 2024 pela Editora Panini juntamente com a Titan Comics.

Nesta hq John Arcudi e Max von Fafner entregam um Conan implacável, à frente de um exército hirkaniano encarando criaturas ancestrais. Já Patch Zircher traz o personagem Solomon Kane em uma narrativa sombria e atmosférica, onde na Véspera de Todos os Santos se torna o palco para horrores vindos do além do véu da realidade. A fusão do terror sobrenatural com a justiça implacável de Kane resulta numa leitura intensa e arrepiante.


Bom, a edição traz diversos pin-ups, um poema das eras hiborianas, um conto chamado "Sacrifício na Areia" no estilo pulp escrito por Jim Zub inspirado na capa desenha por Joe Jusko. Há uma introdução interessante de Roy Thomas, o principal roteirista da Espada Selvagem de Conan durante os anos 70 até meados de 2000 e 2020. Ele conta como foi o início da revista, a sua elaboração e relevância para aqueles dias até hoje.

Como bônus, a edição ainda acompanha um pôster colorido da Era Hiboriana desenhado pela artista Francesca Baerald e que fez outros trabalhos em World of Warcraft, Warhammer, Magic, the Gathering e diversos livros de Fantasia.

Mesmo que não tenha agradado a todos, a hq é um retorno nostálgico, com certeza. Sendo um fã do cimério desde o início dos anos 80, A Espada Selvagem de Conan é um título que traz o espírito da literatura pulp em preto e branco.

Vale a pena conferir!



sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Multiverso Pulp: Horror - Volume 3

Multiverso Pulp Horror - Vol.3

Leitura de Halloween é com Multiverso Pulp: Horror - Volume 3, organizado por Duda Falcão e publicado pela Avec Editora em 2021.

A obra apresenta dez contos de diferentes vertentes do terror, apresentando uma ampla gama de narrativas que exploram o medo em suas diversas formas: abominações, zumbis, criaturas sobrenaturais, ocultismo, horror cósmico, vingança, loucura e mistério.

Gostei muito da sensação de estar lendo a essência da literatura pulp com um toque nacional. São narrativas que prendem a atenção pela qualidade e fluidez da escrita. 

Pablo Amaral Rebello (De volta para casa), Simone Saueressig (A Ponte sobre o igarapé), Diego Mendonça (A grande geada), The Wolf (Lótus negra), Dré Santos (Arquivo do Caso Lurdinha), Adriana Maschmann (Carpe noctem, quam linomum credula postero), Lu Evans (Eu vejo), Gabrielle Roveda (Vagalumes de água doce), Tarcísio Lucas Hernandes Pereira (Mississipi Delta Blues) e Duda Falcão (Devoradores de Mundos) trouxeram em suas histórias um convite ao leitor para mergulhar nas trevas da forma mais sombria e densa. 

Elas honram as características do gênero, ao mesmo tempo que oferecem uma abordagem moderna e genuinamente brasileira.

Curti demais a arte da capa que foi feita por Luciana Minuzzi. Adorei o traço que remete à estética das revistas pulp e dos quadrinhos de horror clássico dos anos 30 e 50. 

Enfim, Multiverso Pulp: Horror - Volume 3 configura-se como uma obra de notável relevância para o panorama do terror nacional. Ela alcança uma reflexão onde o horror é percebido não como um elemento externo, mas colo uma sombra que uma vez projetada, se revela inerente da experiência humana.

domingo, 26 de outubro de 2025

The Sellswords Trilogy

The Sellswords 

A Trilogia ThSellswords s é, para mim, uma das obras mais ousadas de R. A. Salvatore. 

Ela desconstrói o maniqueísmo do universo Forgotten Realms ao transformar "vilões" em protagonistas complexos e terrivelmente humanos. Além disso, autor equilibra muito bem combates eletrizantes e uma filosofia moral com rara destreza.

Jarlaxle e Entreri são espelhos distorcidos de Drizzt Do’Urden. Enquanto um luta para ser bom em um mundo cruel, eles aceitam o caos e procuram sentido dentro dele. 

Essa ambiguidade ética é o que eleva The Sellswords estar acima da média de uma simples trilogia de Fantasia. É uma reflexão sobre poder, solidão e a busca por identidade quando a redenção ainda não é possível.

Uma leitura essencial para quem aprecia Forgotten Realms e uma Fantasia bem old school.


sexta-feira, 24 de outubro de 2025

A Queda de Hance Kotton

A Queda de Hance Kotton 

Publicado em 2023 e escrito pela autora D. Hoff, o livro traz uma narrativa que mergulha fundo em elementos de brutalidade, delineando a decadência moral e a inevitabilidade da ruína. 

A história acompanha Hance Kotton, um guerreiro que já foi um general em batalhas contra hordas bárbaras, mas que ao longo da trama vai se despindo de sua aura heróica para revelar sua verdadeira essência marcada pelo ego e pela incapacidade de reconhecer seus próprios limites.

Desde as primeiras páginas, a autora deixa claro que não está interessada em confortar o leitor. A queda do protagonista não é apenas física ou política, mas sobretudo espiritual, um mergulho em camadas cada vez mais sombrias de sua própria alma.

O estilo de D. Hoff alterna entre descrições densas e diálogos diretos. Ela sabe construir atmosferas opressivas: os cenários são fétidos, pútridos e cheios de presságios, lembrando às vezes as ambientações de A Companhia Negra de Glen Cook e também A Primeira Lei de Joe Abercrombie.

Gostei muito da atmosfera opressiva do universo de Trakar. A complexidade psicológica do protagonista, a narrativa textual de diversos personagens e as bizarras hordas Bhaks, fazem com que a obra consiga dialogar com o gênero Dark Fantasy sem parecer mera cópia.

A Queda de Hance Kotton é uma obra brutal, sem concessões e profundamente trágica. O livro não oferece tranquilidade ao leitor, apenas a experiência ácida de um homem amargurado, sarcástico e monstruoso. Para quem aprecia narrativas sombrias e densas, é uma leitura que ecoa na mente muito depois da última página.

sábado, 18 de outubro de 2025

The Serpent's Bargain - Warhammer Age of Sigmar

The Serpent's Bargain 

Considerando o vasto e brutal cenário de Warhammer 40K, um universo de sangue e aço dominado pelos bolters dos Space Marines, minha curiosidade se voltou para as terras míticas dos Reinos Mortais de Age of Sigmar e, em particular, pela trama densa de The Serpent's Bargain, escrita pela autora Jamie Crisalli.

O conto foi publicado originalmente na antologia Inferno! Volume 4 - Tales from the Worlds of Warhammer da editora Black Library em 2019. 

A história apresenta Laila, uma camponesa da humilde vila de Varna no reino de Ghyran. ​Quando a aldeia começa a ser devastada pelos corruptores de Nurgle e Slaanesh (Deuses do Caos), Laila decide não se render. Com os anciãos passivos e os guerreiros ausentes, ela se une ao seu velho amigo Stefen e ao enigmático soldado Ano para buscar a única esperança restante - os Faire Ones, seres lendários que detestam o Caos.


Então, é uma leitura simples e envolvente. Gostei bastante de pontos importantes que contribuem para a história como a atitude e o carisma da protagonista. 

Os conceitos do universo de Age of Sigmar (a vertente de Warhammer à qual pertence a história) são geralmente apresentados e explicados de maneira orgânica na narrativa, através dos olhos dos personagens. Crisalli insere o leitor nos perigos dos Reinos Mortais por meio da perspectiva de Laila que também está descobrindo esses perigos.

Sem entrar em spoilers mais pesados, The Serpent's Bargain cumpre com maestria o título da obra: o pacto serpentino, o acordo impossível entre a salvação e a ruína. A "barganha" feita por Laila se revela como um espelho da condição humana diante do divino. 

O desfecho é melancólico e inevitável. Talvez mais trágico que épico e é justamente isso que o conto torna a leitura memorável. Até mesmo porque no universo Warhammer não há milagre sem dor e nem salvação sem custo.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Hammerfall: Crônicas de um Guerreiro do Norte (Vol. I)

Hammerfall  - Crônicas de um Guerreiro do Norte 

Do autor e tatuador Hewerton Kavera, trago aqui a leitura finalizada de Hammerfall: Crônicas de um Guerreiro do Norte, publicado de forma independente em 2025.

Neste primeiro volume, somos apresentados a Erik Hammerfall, um guerreiro moldado pela guerra e pela solidão do Norte gelado e implacável. Em oito contos temos várias aventuras de luta, magia e seres fantásticos, onde o universo frio e cruel se torna um terreno fértil para a ascensão e ruína de heróis.


Bom, o livro superou todas as minhas expectativas. A narrativa surpreende por sua variação, mesmo sendo uma coletânea de contos focados em um único personagem. Ele pode ser um errante brutal e em outro, um defensor de causas perdidas. Esta adaptação permite que a trama construa o perfil de Hammerfall de forma multifacetada, revelando sua astúcia, brutalidade e, por vezes, seu lado mais introspectivo e melancólico.

Cada conto apresenta um novo desafio para o protagonista, desde confrontos viscerais em calabouços escuros a embates com criaturas lovecraftianas. Uma das coisas que mais me agradou no livro foram os trechos mais poéticos como "O Vale" e "Valquíria" que, na minha opinião, ficou incrível e trouxe uma áurea mais "Edda" mesmo com influências pulp.

A arte gráfica se destaca de maneira notável. Embora eu tenha notado certas referências ao poderoso estilo Death Dealer de Frank Frazetta, Kavera traz uma dose de talento e originalidade em traços e uma visão singular do nórdico.

No geral, Hammerfall: Crônicas de um Guerreiro do Norte - vol. I é uma estreia promissora que indica que o autor possui um potencial significativo pela frente. 

Mal posso esperar para ver o que ele fará a seguir e, sem dúvida, é um bom começo!

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Pathfinder Tales - A Bruxa Invernal

Pathfinder Tales - Bruxa Invernal 

Trazendo aqui A Bruxa Invernal da série Pathfinder Tales, publicado originalmente em 2010 e lançado no Brasil pela Editora New Order em 2023. 

A história acompanha Ellasif, uma guerreira bárbara e o jovem Declan Avari, um cartógrafo que unem forças para uma missão de resgate em que enfrentarão a fúria de monstros, guerreiros e muita magia.

A autora Elaine Cunningham, conhecida por seus trabalhos em Elfshadow, Evermeet e outros mundos de Forgotten Realms, traz uma aventura mais sombria e visceral, ambientada nos reinos do norte de Golarion, universo de Pathfinder. Ela criou um worldbuilding fascinante que explora a atmosfera glacial como um motor dramático que dita decisões e jornadas. 

Para os fãs do rpg Pathfinder, trata-se de uma leitura quase obrigatória. O cenário ganha textura e as lendas se materializam com ótimas idéias e oportunidades para desenvolver uma boa campanha de mesa. Para os leitores de fantasia em geral, é recomendável como uma história de aventura bem construída e com os típicos clichês do gênero fantasia: batalhas intensas e diversas criaturas épicas de tirar o fôlego.

Meu ponto positivo em relação a edição da New Order é o formato de bolso (estilo pocket book ou paperback) - muito mais prático, fácil de manusear e ler.  Já a tradução de Joyce Dantas está impecável por manter a fluidez do texto original e a revisão de Bernardo Stamatto (autor da saga A Era do Abismo) garantiu consistência na terminologia própria do cenário. 

Eu também espero que a editora traga mais livros de Pathfinder Tales, principalmente com os trabalhos dos autores Dave Gross (Lord of Runes/Master of Devils) e Howard Andrew Jones (Plague of Shadows).

Enfim, A Bruxa Invernal é um livro de fantasia que cumpre sua proposta: oferece uma aventura envolvente e que entretém na medida certa. Não é uma obra que rompe padrões narrativos, nem pretende inovar ou reinventar o gênero, mas consegue agregar e ter inspirações para uma leitura boa e divertida.